quarta-feira, 24 de novembro de 2010

que não dá pra dormir no ponto.

"Não sei se quero descansar, por estar realmente cansada ou
se quero descansar para desistir
" (Clarisse Lispector)


Sei que não podemos nunca desistir, que a traz de toda tempestade tem um arco-íris e tudo mais, afinal eu uso desses argumentos quando algum amigo está mal. Mas teoria é teoria e prática é prática. Eu não sou a mesma de ontem, mas acho que todos passam por isso. Eu tenho medo do amanhã e é uma das minhas maiores fraquezas, eu vivo um eterno conflito dentro de mim, eu sei o que eu tenho que fazer mas não tenho vontade de fazer. Não... vontade eu tenho, mas não tenho ânimo, eu tenho vontade de pular o processo do meio termo. Queria simplesmente pegar e ter a coisa pronta, assim, fim. Mas isso é o que todo mundo quer, e eu também não quero ser todo mundo.
Acho que o que importa mesmo é o final, mas eu tenho que entender que o processo ate o final é importante e inevitável, é como seu eu tivesse num estado de coma, talvez, a alma separada do corpo. Eu enxergo tudo que está acontecendo ao meu redor mas não respondo. Não tenho força psicológica para responder.
Eu queria estar perdida no meio das minhas cobertas, e não perdida no meio do mundo como eu estou. Dormir é tão fácil, mas ninguém nunca resolveu nada dormindo, e sério, não será eu a primeira a fazer isso. É como se eu tivesse uma estrada gigante para correr em frente mas com uma ventania muito forte soprando para o lado contrário.
É o meu obstáculo, eu sei, e eu tenho que passar por cima dele, afinal ele não será o ultimo, eu tenho que aprender a parar de correr, se não vou acabar nem percebendo as coisas que passam ao meu lado, afinal estarei focada sempre na frente. E vou tentar fazer a minha alma e o meu corpo se encontrarem de novo, porque a vida não dá pra viver no automático.

Foto: alguma doação.
Texto: @mandynga

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

que amigos virtuais são sim reais.

"Escuto seu sorriso (hehehehe) através do sons do teclado.
Ouço teu coração através do meu coração,
Sinto tua alegria através da minha alegria..."
(Fátima Merigue de Mendonça)


Em qualquer lugar que você vai tem alguém para falar que internet é isso internet é aquilo. Claro que corremos o risco que se passa todos os dias na TV, mas não podemos simplesmente não dar a chance para nós mesmos de conhecermos uma pessoa maravilhosa, do outro lado da tela.
Acho que temos a capacidade de distinguirmos o sentimento real do "simples amiguinho virtual". Sabemos nos cuidar, e sabemos aonde mora o perigo, e não fazemos uma visitinha pra ele, nem se quer passamos na rua da casa dele. Porque amigo não é perigo.
Não dá para explicar a amizade real, você não precisa ter seu amigo fisicamente do seu lado todos os dias, têm amigos virtuais que são muito mais amigos que esses que moram na sua cidade. E como você daria tudo para trazer todos esses amigos virtuais para pertinho de você. Eles te conhecem tão bem, te fazem rir com uma simples brincadeirinha, você se emociona com suas palavras, e com a demonstração de carinho em redes sociais.
E o que te move todos os dias é o sonho de um dia poder escutar a risada deles, olhar nos olhos deles, e dizer finalmente um "amo você" com todo o seu coração, e ficar o resto da sua vida se glorificando e expondo a foto que você tirou com ele dizendo: "Tá vendo esse aqui? é meu amigo de internet, eu conheço ele a tanto tempo e essa foto foi quando eu vi ele pela primeira vez" e a pessoa virar para você e falar: "você é louco" e você apenas balançar a cabeça negativamente rindo, pensando consigo mesmo: "Não sou louco, só fui a traz do meu sonho"
Desculpa então para quem acha isso uma grande perda de tempo, mas eu não acho. Me orgulho sim dos meus amigos virtuais, tenho muitos deles, e cada um me conquistou do seu jeito, e posso dizer com todas as letras que todos eles fazem mais diferença na minha vida do que alguns que eu tenho aqui do meu lado.
E um dia eu vou sim ver todos eles, pois esse é o meu sonho, e se eu ficar com medo nunca sairei do mesmo lugar, e assim não dá, afinal o mundo não para de girar.

Foto: alguma doação.
Texto: @mandynga

terça-feira, 16 de novembro de 2010

que o amor a gente não escolhe.

"É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar. Mas amor, você sabe, amor não se pede." (Tati Bernardi)


É muito ruim você amar uma pessoa e ela não te amar de volta. E é mais ruim ainda saber que as vezes ela queria ate te amar... mas todos nós sabemos, a gente não escolhe quem a gente ama, se escolhêssemos iria ser tão mais fácil. Mas o que é fácil? as coisas que nós mais queremos geralmente são as mais difíceis de conseguirmos, faz parte do nosso grau de desejo, vêm de acordo com o nosso esforço. Mas estou falando de amor, não de algo material, estou falando de um sentimento, algo que não controlamos embora quiséssemos.
As vezes a gente fica com raiva, porque nos achamos injustiçados, amamos tanto aquela pessoa pra ela não nos amar nem um pouquinho? Mas o amor, o amor mesmo é você amar e não pedir nem esperar nada em troca. A pessoa não pediu seu amor. Isso não se pede.
As vezes você se acha uma trouxa, e fica com raiva de você mesma, porque tem que ser aquela pessoa não é mesmo? porque justo ela, no meio de tantas, ela não tem nada de especial, de perfeito, ela nem se quer move uns pauzinhos pra você gostar dela, porque porque? Mas o amor vive te surpreendendo nas suas escolhas, e não há nada que você possa fazer para mudar isso. O amor, para mim, é um ser brincalhão que gosta de testar os limites e fantasias das pessoas. É, é isso que eu acho, no fim das contas.
Pra mim, é tudo culpa do ser do amor, só pode ser. Acho que ele escolhe duas pessoas aleatóriamente e vê no que é que dá, aposto que ele se diverte as nossas custas, mas tudo bem, ele não é mau intencionado, no fundo ele só quer amar também, o amor quer amar todos os amores que ele criou.
Foto: alguma doação.
Texto: @mandynga

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

que sorrir com um amigo é melhor do que sorrir sozinho.

"Eu não vejo a hora de te ver sorrir!" (autor desconhecido)

O riso mais verdadeiro é aqueles que você dá na presença de um amigo.
É incrível como os nossos amigos tem uma capacidade tremenda de nos fazer rir, ate quando não queremos sorrir alguns deles conseguem arrancar um sorrisinho que seja, e quando queremos rir não há nada que nos faça parar, e dai vem aquelas risadas gostosas que não param mais e fazem todos que estão ao redor de vocês olharem com uma cara de "eu hein".
Eu particularmente sempre sorrio com o sorriso de um amigo, é incontrolável, e sorrio mais ainda se foi eu quem proporcionou aquele sorriso, porque é uma sensação sem explicação ser o autor daquele riso que é tão bonito. Me faz sentir tão bem.
Muitos amigos as vezes te fazem bem só de estarem ali do seu lado, ou só com uma careta ou uma piada super péssima, mas que você sempre ri, justamente por ser tão péssima. Outras vezes você olha uma foto, um texto, ou apenas uma palavra que o seu amigo já te deu e o sorriso vem junto, e quando você tá tão envolvida numa conversa com eles nem percebe os vários sorrisos involuntários que dá. É simples assim, e por ser tão simples é tão bom.

Foto: alguma doação.
Texto: @mandynga

domingo, 7 de novembro de 2010

que o amor sempre trás obstáculos, e você tem que passar por todos.

"Nada é real, a não ser o sonho e o amor." (Anne Noailles)


“Numa bela noite a menina resolveu dar uma volta pelo jardim de sua casa, não passava das nove horas da noite e a lua estava no seu centro, rodeada de estrelas. Quando então a menina sentou-se numa pedra e resolveu olhar para o céu, nunca tinha parado para fazer isso antes, morava na cidade, essa coisa de olhar o céu não era costume, a não ser pra ver se ia chover ou não. A lua piscava para a menina, esta se surpreendeu e olhou ao redor, assustada, porém notou que estava sozinha, juntou coragem então e voltou a olhar para o céu, a lua agora parecia querer falar com ela, queria se aproximar queria ser amiga dela; E desta vez a menina não abaixou o rosto, e ao invés de medo surgiu a curiosidade, era uma felicidade estranha a qual ela estava sentindo, ela piscou os olhos várias vezes, mas a lua continuava ali a esperar uma resposta dela. Na noite seguinte a menina correu para o mesmo lugar, e com uma estranha ansiedade olhou para o céu a procura da sua nova descoberta, a lua. Mas esta hoje não tinha comparecido, e isso fez os olhos da menina se embaçarem, o que ao mesmo tempo deixou a menina envergonhada, porque aquilo? Era só uma lua, não tinha nada entre elas, se pôs então a correr enquanto com a mão tremula limpava seus olhos molhados. Passou uma semana e a menina foi para seu habitual passeio, porém estava tão atordoada que não controlava seus pés, e estes a levaram para a pedra, aonde a menina pela primeira vez notou de verdade a lua. Quando percebeu onde tava seu coração começou a se encher de uma ansiedade, de uma alegria, ela sentia seu coração pulsar cada vez mais rápido, um nó se formara na garganta, e fechou os olhos com força com o receio de estes olharem para a sua figura de admiração, e a entregarem. Não agüentou nem por cinco minutos e arriscou uma olhadinha para o alto, e lá estava ela, no mesmo lugar, a sua espera, a lua. Nesse dia a menina estava preparada, sentou-se com cuidado na pedra e pra lua deu uma piscada, essa pareceu retribuir seu gesto, e então nada mais as separavam. Desse dia em diante a menina começou a amar a lua, mas era um amor que doía, a lua estava distante, a menina não podia tocá-la, podia sentir sua presença, podia sentir sua luz, mas não a sua textura, não sabia qual aroma ela exalava, não sabia quase nada. A lua quisera retribuir esse amor, mas o que ela poderia fazer? Seu amor já estava jurado as estrelas, a imensidão do céu, ela não podia pertencer à menina. A menina sentia a lua se afastando, e então chorava lágrimas amargas, não podia alcançá-la, não podia segura-la, não podia amá-la. A lua tinha suas fases, não podia deixar sua vida pela menina, a lua era fascinada pelas suas estrelas, encantada por elas, apaixonada. A menina era a menina, não podia ser uma estrela. Mas quem é que pode controlar esse sentimento? Por mais que machucasse a menina não deixava de ir lá admirar a sua lua, mesmo sem poder tocá-la, a pedra era a única coisa que participava da dor e do amor da menina, a pedra era seu ponto de apoio, a que presenciava aquela historia toda, sem dizer nada. A menina começou a reparar numa estrela que ficava mais próxima da lua do que as outras, de vez em quando, quando chegava de surpresa percebia com que doçura a sua lua admirava aquela estrela, embora a estrela pra lua nem olhasse, e isso gerou muitas brigas, a menina não sabia o porquê de a lua amar tanto aquela estrela e não poder retribuir o seu amor. Começou a sentir inveja e raiva da estrela, ela chegara mais próxima da presença da lua do que ela, a lua amava a estrela, e não ela. Como isso doía no coração da menina todas as noites antes de dormir, ao se despedir da lua, sabendo que esta ia ficar lá com a sua estrela escolhida, enquanto a menina encolhida na cama seu nome chamava. A lua dissera a ela em um de seus sonhos que se pudesse retribuía esse amor, mas não era certo, elas eram proibidas, jamais uma menina poderia se apaixonar por uma lua, mas a menina não escutava, pra ela não tinha certo ou errado, a única coisa que tinha era o amor que ela sentia, o amor não totalmente retribuído, porém, desejado. Ai como a menina quisera se transformar em estrela pra ver se sua lua a notava, como a menina queria poder pegar a lua só para ela e trancá-la em seu quarto, como a menina a amava. A menina dividiu sua dor com suas amigas, mas estas pouco a compreenderam não se podia amar uma lua, ainda mais uma lua que gostava de ter vários admiradores pela noite, não podia se entregar para um amor que a machucava, e a menina já sem forças para chorar apenas se lamentava, e falava com firmeza que quisera ou não a lua se tornara parte dela. Não podia seguir sem a lua, não gostava do céu escuro quando sua amada se ausentava, ela necessitava da luz da lua, da sua presença, do seu amor, o mundo para ela pouco importava. Mesmo a lua falando para ela em seus sonhos que não podia amá-la, a menina não desistiu, continuou em segredo a admirá-la, e todas as noites voltava para a pedra, tentava controlar seu amor, para não ver a lua afastada, e a menina permanece lá, às vezes quieta, às vezes agitada, com os olhos esperançosos a admirá-la, o seu amor um dia lhe daria asas, um dia poderia por fim tocá-la.Um dia a sua lua iria amá-la, nem se fosse apenas por alguns segundos.”

Foto: @mandynga
Texto: @mandynga

que independente dos caminhos que seguir sempre terá um que te pertencerá.


"Perder-se também é caminho." (Clarice Lispector)

Todo mundo um dia já se sentiu perdido, ou no caminho errado, ou sem ter certeza para qual lado ir. Mas acredito que todos sabem qual caminho seguir, porque não adianta a opinião de ninguém, no fim é a sua vida e quem tem que tomar essa decisão é você.
A vida vai te mostrar caminhos o tempo todo, você vai ter sempre que escolher se vira pra esquerda ou para a direito, a escolha é inevitável em qualquer momento da sua vida, você está sendo testado o tempo todo basta você parar e observar.
Não sei se existe o tal caminho errado, porque no fim sempre vai dá num lugar, e quem te garante que o lugar que você julga errado não vai se tornar o certo não é? Todo caminho traz coisas novas, e nós seres humanos somos adaptáveis e não acho que devemos encarar a mudança como algo ruim, porque pode ser que ela seja o que você sempre procurou, e se encaixar é só uma questão de tempo.
Caminhos te levaram a lugares novos, para você explorar e descobrir tudo o que tiver ao seu alcance, para se surpreender ou ate mesmo se descobrir. E eu sei que ate acharmos o nosso lugar andaremos por muitas estradas, desertas ou não, porém sempre carregaremos uma lembrança, uma lição, uma pessoa, a mais quando seguirmos para o proximo lugar.

Foto: alguma doação.
Texto: @mandynga